domingo, 6 de dezembro de 2009
Manual Universal da Podologia Escrotal - A Ciência do Pé no Saco
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Um trabalho como qualquer outro
Ok, o lance é que a Internet tira o glamour todo da coisa – aquela troca de olhares; o papo furado, sempre deixando algo subentendido; o riso fácil, a piadinha marota, ou seja, a porra toda da sedução – mas esse era o jeito mais fácil. Só tinha certeza de uma coisa: o primeiro e-mail seria de uma mulher. E eu, invariavelmente, me fodo com elas. E é claro, seria uma fumante, eu invariavelmente me fodo com as fumantes, elas acendem um cigarro, eu apago a razão. Então ela ia me contar a droga toda da vida dela, que o casamento caíra num tédio interminável, que já não havia mais amor, o marido sempre distante, essas merdas todas. Aí acende um cigarro, fico sentimental, ela pega minha mão e me arrasta pro inferno, e eu sorrindo, presa fácil pro canhoto. Maldita, não foi a primeira a me derrubar, nem vai ser a última. Mas sou durão, aprendi a tomar porrada e sempre me levanto. Por isso, não fiquei surpreso quando vi que o primeiro e-mail era mesmo de uma mulher. Isso me fez pensar que tenho instinto pra coisa, nem queria cobrar pelo serviço, primeiro cliente e tal... Mas não dá, a gente tem de ser profissional, se dá a mão querem o braço, tem de ter um certo distanciamento, mostrar quem manda na parada. E eu também queria juntar uma grana, alugar uma salinha num desses prédios decadentes do Centro, uma mesa de fórmica, quem sabe um terno novo e um chapéu, o chapéu é importante... E claro, na porta vai ter uma janela de vidro canelado, com um letreiro em tinta preta escrito: “Roberto Almeida – Detetive Particular”. Afinal, glamour é fundamental.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
De médico e louco, todo mundo tem um pouco
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
À Serviço de Sua Majestade
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Entrevista com o vampiro
- Aí mermão, tu gosta de filme de vampiro, é?
- Pra te falar a verdade, acho uma bosta. Não gosto nem desse. Tem o do Polanski, esse sim, é bom. Deve ser porque ele é polonês.
- Ráááááááá! Cara, tu é dos meus! Todo mundo gosta dessas bostas... Aí, desce mais uma pra mim e pro meu camarada aqui.
Lá vem.
- Porra, mermão... O pior é que essa praga virou modinha agora... É vampiro teen, vampiro criança, vampiro lésbica... Vai tomá no cu.
- Ééé... Mas eu acho que esses filmes nunca saíram de moda, na real. Sempre tem uns três por ano.
- Podicrê... Mas vô te falá uma coisa – dedo em riste contra meu peito, praticamente furando o olho do Bela Lugosi – o que me deixa puto, mas puto mesmo, é a forma como eles retratam a vida dos vampiros nesses filmes, aquele glamour todo, todos eles bonitinhos, tudo bem vestido, Tom Cruise, comendo aquelas minas todas... Cara, nadavê... O Chico Anysio, esse é foda, ele sabe é o que é ser vampiro, Bento Carneeeero... O Chico Anysio é vampiro, mano. Não, não é, porque ele envelheceu, não é não.
- E você sabelá o que é ser vampiro, meu?
- Claro que sei – bate no peito – EU SOU UM!
- Desce outra aí, por favor.
- Não tem problema eu te contar isso, ninguém acredita mesmo... Mas eu tenho uns 500 anos.
Miro a figura. Alto, devia ter dois metros, cabelos pretos, compridos. Branco como um salar, seco como o agreste. E feio pra caralho. Aparentava trinta anos.
- Até que você tá bem pra idade. Tá vendo, é bom ser vampiro. Esse lance de ser jovem pra sempre, e tal...
- Bom? BOM? Cara, EU CARREGO UMA MALDIÇÂO! UMA MALDIÇÂO, ENTENDEU?
Eita, agora que eu morro. Tudo bem levar um chupão no pescoço essa noite, mas não desse jeito. E não dele. Cadê aquela loirinha que tava me olhando?
- Você não sabe a vida que levo... Essa vida desgraçada ducaralho. No começo que era bom, eu era conde, tinha meus servos, um suprimento inesgotável de sangue fresco, festa toda noite, tocava o terror na Romênia, ô saudade... Mas aí veio o capitalismo, tive de vender minhas terras pra levantar um dinheiro, sacumé, torrei tudo num ano, eu era conde, pô... Me vi na miséria. Decidi ir pra América, dei no Brasil.
- Toma mais aí.
- Então, tava te falando... O pior é que eu nem conseguia arrumar um emprego decente. Não sabia fazer nada, não sabia ler e escrever, naquele tempo só tinha escola de dia. E eu sou um vampiro, porra. Como é que eu ia estudar de dia? Tive de fazer o MOBRAL nos anos 70, junto daquela gente pobre e feia, eu era conde, bicho...
- Foda, hehehehehe...
- Cê acha engraçado, né? Então escuta, que você vai rir muito mais... Eu só conseguia arrumar sub-emprego, não sabia ler, só podia trabalhar à noite, mas eu me virei, fui porteiro, guarda-noturno, segurança, michê... Até caí na bandidagem, mas não podia me dar ao luxo de ser preso, ver o sol nascer quadrado pra mim não é opção, hahahahahaha...
- É, mas ia conhecer uma pá de sujeito sanguinário que nem você.
- Hahahahaha, você é fera, brother! Sangue bom, hahahaha...
Desce mais uma que o papo tá interessante. Bebebebebebe.
- E como eu ia descolar mulher desse jeito, mermão? Só puta. Teve uma época que trabalhei de estivador no porto de Santos... Peguei tanta doença que não sei como meu pau não caiu. Fiquei broxa. Porra, é difícil manter uma ereção quando se tem pouco sangue.
- Cara, que merda.
- Mas a minha vida tá melhorando... Sofri pra caralho, mas finalmente arrumei um trabalho que atende minhas necessidades. Tô até pegando umas piriguetes agora, hehehehehe... Sacumé, eu sou burro, mas não sou otário.
- Ah, é? E o que você faz?
- Virei DJ, hahahahahaha...
- Hahahahahaha...
- Véio, o papo tá bom, mas vô nessa... Já tá amanhecendo, hehehehehe... Valeu te conhecer!
Me cumprimenta, levanta da mesa, deixa um flyer comigo. DJ Dentinho. O cara é sangue.


